Cinemão

Inspirada na estética da pornochanchada, Cinemão acompanha artistas que tentam realizar um filme independente em meio às precariedades da produção cultural brasileira. Entre humor e crítica, a peça reflete sobre os desafios de criar arte no Brasil contemporâneo.

6/2/20252 min read

Das grandes cidades aos interiores do Brasil, o cinema, enquanto espaço físico de exibição, sempre esteve presente e próximo da população. Entre as décadas de 1950 e 1970, Belo Horizonte contava com diversas salas de cinema espalhadas pelo centro e pelos bairros da cidade. Com a chegada dos cinemas em shopping centers e o avanço da percepção de insegurança urbana, muitos cinemas de rua foram fechados, transformados em igrejas ou convertidos em espaços dedicados à exibição da pornochanchada. Na década de 1980, a grave crise econômica instalada no país, somada à falta de políticas públicas para o setor audiovisual, contribuiu para a liberação da exibição de filmes explícitos, conhecidos como hardcore, acentuando a decadência da produção cinematográfica nacional.

Taxada como “apelativa” e “grosseira”, a pornochanchada conquistou o grande público, alcançando enorme sucesso na década de 1970. O gênero consolidou uma estética genuinamente nacional e popular, permanecendo no mercado por cerca de quinze anos. Desde 2018, a Companhia TeAto do Amanhã desenvolve uma intensa pesquisa sobre os antigos cinemas de rua da cidade, transformando esse material em trabalhos cênicos. Em julho de 2018, estreou Banheirão, espetáculo que inaugurou a pesquisa e a estética site-specific da companhia.

Em Cinemão, o texto foi adaptado para o formato digital e apresentado no Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto. A obra explicita os desafios dos processos de gravação de um filme independente, utilizando elementos da pornochanchada em uma estética atualizada para o nosso tempo. A montagem propõe uma reflexão sobre as atuais condições precárias de produção artística no Brasil. O trabalho foi produzido em 2020 de forma remota, obedecendo a todas as recomendações sanitárias de combate ao novo coronavírus.


SINOPSE

Zozô é atriz e diretora de filmes pornochanchada da região da boca do lixo de São Paulo, que resolve depois de décadas gravar um novo filme. Com todas as dificuldades em conseguir acessar leis de incentivo para produzir, Zozô não abriu mão do projeto, passando a contar com financiamento ilícito e apostando numa estética irreverente para ganhar o tão esperado sucesso.

FICHA TÉCNICA 

Direção e dramaturgia: JONATA VIEIRA; Atuadores: NAYARA LEITE, JOVIANE AYÊ, SOL MARKES, GABRIEL MENDES e HYU OLIVEIRA; Figurino e desenhos: LORRAYNE ANTONIELLE; Produção: HYU OLIVEIRA, JONATA VIEIRA, GABRIEL MENDES e NAYARA LEITE; Captura de Imagem: TEATO DO AMANHÃ E MARIANA FERREIRA; Edição Audiovisual: HYU OLIVEIRA. 


CONTATO

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